Quinto Caso - Por Raine Silva.
Durante o ano passado fiquei responsável pelo reforço escolar de Sara, filha de uma amiga, e não tinha grandes problemas ao ajudá-la, uma menina com grande iniciativa, participativa, muito esperta. Observando o histórico de Sara pude ver que ela sempre tirou notas muito boas, mesmo antes do reforço, mas notei que uma situação em particular lhe chateava a ponto de não conseguir se concentrar muitas vezes na explicação: o exagero de uma certa familiar. Resolvíamos as lições, revisávamos um pouco os assuntos e depois fazíamos uma pausa para o lanche, só que muitas vezes os assuntos eram poucos, ou ela os resolvia com muita facilidade, como era na maior parte dos casos. Nos dias em que acabávamos mais cedo eu mesma bolava algumas tarefas extras para ela, só que em alguns dias eu percebia que já estava cansada, e lá estava a parente ao pé do ouvido da menina pedindo mais exercícios, era quase como se ela simplesmente não conseguisse ver Sara descansando. Eu observava que isso deixava a menina chateada, e foi aí que tive que intervir pedi, indiretamente, para que a pessoa não se intrometesse mais afirmando que estava tudo dentro do controle, e a menina precisava daqueles momentos de descanso. Sei que a avó tinha a melhor das intenções, mas descansar também faz parte do processo de aprendizado já que ninguém aprende nada exausto. Toda essa experiência só me faz pensar que muitas vezes alguns alunos que são até muito bons, muito dedicados e inteligentes acabam ao longo do tempo cansados, fadigados da vida estudantil, achando que precisam ser precisos e perfeitos todo tempo, o que pode desencadear dependências pessoais nesse alguém, e sentir necessidade de validação acadêmica é uma insegurança difícil de cuidar.
- Raine Silva
Isso é muitas vezes bem comum dentro das famílias, toda essa exigência para que a criança seja o aluno perfeito - o que pode diminuir drasticamente seu desempenho. Afinal, se quem trabalha precisa de descanso para manter a saúde, com quem estuda é a mesma coisa. Infelizmente muitos parecem não entender ou desdenhar disso, e é difícil pra um professor que tem consciência das necessidades de seus alunos contar com um suporte familiar assim. Nossa sociedade ainda tem um longo caminho a percorrer no que se trata de reconhecer a importância da saúde mental.
ResponderExcluir- Adamina Moura